Baterás duas vezes e eu abrirei e não quererei acreditar que sejas tu. Entrarás num andar que desconheces e que é feito apenas para sobreviver. E aí me encontrarás, quem sabe porque estranho desígnio. Entrando na sala de jantar poderás ver o teu retrato e os nossos livros. Soará o Nocturno. Folhearás, quem sabe, Virginia Woolf. Virei atrás de ti com o desejo de sentir no meu rosto os teus cabelos. Sentar-te-ei com infinita ternura num dos velhos sofás compartilhados (onde estudavas nos últimos tempos um longo monólogo de mulher solitária — o que nunca foste). Espiarei os teus olhos, o triste sorriso dos teus lábios amáveis, entreabertos, e tudo acabará com um abraço que será o primeiro. Deixará de haver passado ou futuro. Tudo será lógico. E este poema nunca terá existido.



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